LiveWire compra Dust Moto
Elétricas de TT tornam-se a grande sensação do mercado
Apesar de quebra nas vendas e crescentes prejuízos, a LiveWire continua a apostar forte nas motos elétricas com a aquisição da startup off-road Dust Moto.
A LiveWire anunciou há dias a aquisição da startup americana de motos elétricas off-road Dust Moto, numa jogada que parece surpreendente e completamente lógica ao mesmo tempo. Surpreendente porque o próprio desempenho recente da LiveWire não demonstra um negócio em expansão.
As vendas continuaram a cair, a rentabilidade ainda está longe de ser alcançada e o mercado mais amplo de motos elétricas premium para estrada ainda parece difícil de rentabilizar fora de nichos de mercado bastante específicos.
A decisão torna-se mais lógica quando consideramos que, atualmente, as motos elétricas todo-o-terreno são provavelmente o único segmento do mundo das motos elétricas que parece realmente estar a ganhar força entre os consumidores.

Uma moto elétrica de motocross da Dust Moto
Este é o cenário do mais recente anúncio da LiveWire, uma marca de veículos elétricos apoiada pela Harley-Davidson que adquire os ativos da Dust Moto e incorpora a sua plataforma de motos elétricas de motocross na LiveWire.
O objetivo agora é impulsionar o projeto para a produção, utilizando os recursos de engenharia, a capacidade de fabrico e a rede de concessionários da LiveWire.
É uma história semelhante à que aconteceu com a Oset quando a Triumph adquiriu a marca de motos elétricas de trial em 2022. Embora, no caso da aquisição pela LiveWire, se espere que as motos da Dust Moto sejam completamente renomeadas como LiveWires e deixem de ser vendidas sob a marca DM.
A empresa afirma que a aquisição representa uma expansão estratégica para o mercado todo-o-terreno, apontando para a crescente procura por motos elétricas ligeiras que ofereçam binário instantâneo, níveis de ruído mais baixos, operação mais simples e manutenção reduzida.
Em boa verdade, há evidências que corroboram esta ideia. Enquanto as motos elétricas de estrada continuam a enfrentar dificuldades com preços premium elevados, ansiedade em relação à autonomia e uma procura assim-assim por parte do público em geral, as máquinas elétricas todo-o-terreno encontraram um nicho muito mais natural.

Chassis leves, condução de curta duração, carregamento fácil em casa e os benefícios de desempenho da energia elétrica são muito mais adequados para motocross, enduro e passeios recreativos do que para longas viagens em estrada ou para condução desportiva pura.
Basta observar a ascensão da Stark Future e a sua gama Stark Varg, um enorme sucesso, para perceber onde a energia se encontra atualmente no mercado. A Stark passou rapidamente de uma startup ambiciosa a uma verdadeira disruptora, com a Varg a receber elogios generalizados por oferecer um desempenho que pode realmente rivalizar, e em alguns casos superar, as tradicionais motos de motocross a gasolina. E a Stark não está sozinha. Continuam a surgir marcas mais pequenas de veículos elétricos todo-o-terreno, como a Radian ou a STRiX pilotada por Bianchi Prata.

Acrescente-se a isto o boom das motos elétricas dirigidas ao público jovem, que já se provaram bem-sucedidas através de marcas como a STACYC e a já referida Oset, e a aquisição da LiveWire parece menos uma compra impulsiva no eBay depois de uma noite de copos, e mais uma tentativa de, pelo menos, abocanhar uma fatia de um mercado lucrativo.
O CEO da LiveWire, Karim Donnez, afirmou: “A LiveWire foi pioneira no mercado das motos elétricas para utilização na via pública, e esta aquisição permite-nos consolidar essa liderança à medida que nos expandimos para o todo-o-terreno, dando continuidade ao percurso que começou com a STACYC há dez anos.”
Ainda não é claro exatamente qual será o produto final, embora a LiveWire afirme que mais informações serão divulgadas no segundo semestre de 2026. A questão mais importante é saber se isto marca o início de uma mudança mais ampla no setor. Porque, embora o sonho de supermotos elétricas premium substituírem as motos a gasolina ainda pareça distante, as motos elétricas todo-o-terreno apresentam-se cada vez mais como a única área onde a tecnologia faz realmente sentido, tanto para os condutores e ambiente como, potencialmente, para as empresas que procuram lucrar com elas.



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