Enduro ‘Le Touquet’: O sonho concretizado de Rui Areias

Há sonhos que se realizam, outros que morrem connosco. Rui Areias nunca desistiu do sonho de participar na mais famosa corrida de areia, o Enduropale du Touquet ‘Pas de Calais’ e em 2025 transformou-o em realidade.
Desde miúdo que o piloto Rui Areias seguia a prova Le Touquet, quando ainda era realizada nas dunas da praia (percurso que veio a ser abandonado por razões ambientais). No início da década de 2000, enquanto realizava os campeonatos nacionais de Enduro e Todo o Terreno, o sonho de realizar a prova começou a fermentar, no entanto, devido aos compromissos assumidos e diversas lesões não foi possível a sua concretização.
Em 2021, ao perguntarem como este gostaria de festejar os seus 50 anos, levaram-no a pensar que seria perfeito com a realização do sonho antigo… ainda mais quando a prova também faria na mesma data os 50 anos de existência. Iniciou então o planeamento do projeto para dar início em 2022 e terminar em 2025.
Foi reunida uma equipa pluridisciplinar que permitisse voltar aos treinos físicos, alimentação, técnica de condução e orientação psicológica sempre dentro da especificidade da modalidade. Foram também reunidos os parceiros fundamentais para toda a execução do projeto.
Como complemento sustentável, foi introduzido no projeto uma mota equivalente a uma scooter 125cc mas 100% elétrica. Passou a ser o veículo diário durante vários anos, tendo realizado mais de 70.000km no decorrer do projeto.
O ano de 2022 e 2023 que estavam no projeto como retorno aos treinos de mota e competição, acabaram por não correr como planeado derivado a diversas lesões e duas cirurgias com longas recuperações, sendo relegado para o início do ano de 2024 o regresso à competição.
Em setembro de 2024, surge mais um grande obstáculo, era o momento de inscrição na prova, com a abertura das inscrições rapidamente se percebe que iria ser muito difícil obter um lugar nos 1300 possíveis, pois o lugar na fila da aquisição era acima dos 7000… surge imediatamente uma frustração enorme… mas por sugestão de um amigo, entrámos em contacto com a organização que nos enviou um convite de participação… O tão desejado lugar na linha de partida tinha sido obtido!!!
Prosseguiu-se com toda a preparação, mas cada vez com mais cuidados para evitar novas lesões.
A data da prova seria o dia 9 de fevereiro de 2025, e no dia 1 de fevereiro parte da equipa (3 elementos) inicia uma viagem de 2000km com uma autocaravana e um reboque com a mota preparada especificamente para a prova, e ainda todo o material necessário. No dia 4 chegam ao local da prova, sendo que no dia 6 e dia 8 chegariam mais elementos da equipa (mais 3 elementos).
Dias antes da prova, é entregue a medalha de participação, tendo todo o significado que seja com esse timing, pois o grande esforço é chegar à linha de partida, depois a história é outra…
Dia 9 de fevereiro de 2025, tinha chegado o grande dia. Noite bem dormida, equipa fez um sprint final para garantir um lugar para a tenda no parque de assistência, tudo preparado…
Praticamente na hora de tirar a mota do parque fechado, surge um último contratempo e bastante insólito, as luvas que tínhamos eram as duas para a mão direita!!! Uma das pessoas que estava junto do piloto correu cerca de 2 km para ir ao encontro de outro elemento que tinha o restante equipamento de substituição. Problema resolvido mesmo a tempo…
O lugar de partida atribuído, que não depende do número de inscrição, foi praticamente o último, cerca de 1300 pilotos na frente.
– “A primeira volta foi a mais difícil, com dois saltos que viraram subidas impossíveis derivado a tantos pilotos parados e com as motas enterradas. Com muita calma e ponderação as dificuldades foram superadas, mas a mota quase que ficava sem embraiagem… Deu logo para perceber que para terminar a prova é preciso uma grande gestão de mecânica e físico. Ir num ritmo normal de trajetória é muito arriscado, pois acaba-se por se cortar as linhas a alguém mais rápido que irá embater na nossa mota ou nós nas dos mais lentos. Durante a prova são muitos choques que sofremos e provocamos.
Acabámos a prova com o tempo de 3h e 28min, (a prova é de 3 horas), porque faltavam 5 minutos para terminarem as 3 horas e no lugar de esperar para cortar a meta decidimos ir à assistência colocar mais gasolina e dar mais uma volta. Fizemos 7 voltas no total a um percurso com 15km, sendo que a melhor volta foi a 2ª com o tempo de 24min e 15s. A posição final foi o 816º lugar. Obrigado a toda a equipa e a todos os parceiros envolvidos, por proporcionarem um processo espetacular e a realização de um sonho… Sonho concretizado!!!”
– Alguns números da prova de 2025: 2800 pilotos no total | 1500 pessoas na organização | 700.000 espetadores presentes
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