Pedro Castro: “Os nossos pilotos perceberam que têm capacidades para andar na frente na Coupe de l’Avenir!”

By on 20 Outubro, 2019

O Offroad Moto falou com o selecionador do Portugal MX Júnior Team sobre o excelente resultado alcançado na Coupe de l’Avenir há duas semanas atrás. Visivelmente satisfeito com o desempenho dos seus atletas, Pedro Castro deu-nos todos os detalhes sobre esta participação e sobre os planos futuros para este projeto.

O Portugal MX Júnior Team fez quatro estágios de preparação para a Coupe de l’Avenir. Sentes que iam melhor preparados este ano?

“Sem dúvida que os quatro estágios melhoraram a performance de toda a equipa. Quando chegámos ao primeiro estágio, muitos dos pilotos tinham tirado umas pequenas férias após o final do campeonato nacional. O primeiro estágio foi então um regresso às rotinas de treino. Nesse sentido, no primeiro estágio notou-se alguma dificuldade, nomeadamente dos pilotos das classes 85 e Open, sendo que o Alexandre Marques não pôde estar presente por estar a competir na Suíça e na Alemanha. Além dos pilotos que acabaram por ser selecionados, fizeram parte do grupo de trabalho em todos os estágios o Duarte Filipe (65cc), o Rúben Ribeiro e o Igor Amorim (85cc) e o André Sérgio (Open). No fundo, a partir do segundo estágio já foi possível treinar em ritmo de corrida que era o que faltava aos pilotos.”

Quais os objetivos que estavam delineados para estes estágios?

“A verdade é que em quatro estágios não dá para ensinar muito. No total, foram 8 treinos muito organizados, com uma vertente física e outra de recuperação. O objetivo era ganhar ritmo de corrida para as condições que íamos encontrar na Bélgica. Elaborei um plano que visava potenciar as capacidades de cada um, organizando-os por classes e arranjando forma de os “picar”, por exemplo colocando os mais velhos frente aos mais novos. Na Coupe de l’Avenir as mangas não são muito longas e, por isso, interessava treinar o que nos faltou nos anos anteriores: a velocidade. O foco era só um: sermos rápidos! Treinámos também muitos arranques e, a certa altura, os pais até me disseram que íamos ‘dar cabo’ das embraiagens das motos! Obviamente que nada se consegue sozinho. Tivemos a ajuda dos pais dos pilotos, do MX Tojeiro (onde fizemos dois estágios), do MX Spot (onde foi feito um estágio), da pista da Motorace em que o Mário Carvalho e o Filipe Ribeiro nos deram todas as condições, incluindo a rega ‘exagerada’ que lhes pedi para simular aquilo que iríamos encontrar na Bélgica. Em resumo, não foram quatro estágios de aprendizagem, foram quatro estágios focados num objetivo que era chegarmos à Coupe de l’Avenir em condições de lutar pelos lugares cimeiros.”

Fizeram também uma avaliação da forma física dos pilotos, correto?

“Sim, tal como já tínhamos feito em 2018, tivemos a colaboração do Bruno Pereira da OShop que veio fazer uns exames físicos aos atletas para saber se estavam todos em boas condições de saúde para disputar a corrida. Chegámos, por exemplo, à conclusão que uns tinham problemas a nível da coluna vertebral que tiveram de ser resolvidos pelo osteopata; outros fizeram um tratamento nutricional com suplementos alimentares para potenciar as suas capacidades até à prova.”

O ponto alto desta participação foi o 3.º lugar da equipa portuguesa na classe 85cc. Qual o “segredo” deste sucesso?

“Sim, a nossa subida ao pódio foi o ponto alto. Não há segredos a não ser que trabalhámos muito nos quatro estágios e fomentámos o espírito de equipa. Quando chegámos à Bélgica, todos os pilotos queriam fazer um ótimo resultado para Portugal.Os atletas trabalharam muito bem e, este ano, a Federação ajudou os pilotos a competirem no estrangeiro. Por isso, foi o trabalho que fizeram o ano inteiro que levou a este resultado. Não nos podemos esquecer que o Afonso Gomes terminou a primeira manga em 4.º, o Sandro Lobo liderou toda a segunda manga até à última volta, o Martim Espinho arrancou na frente na última manga – ou seja, todos perceberam que podiam andar na frente e que têm capacidades para isso. Posso dizer que foi mais importante para mim, enquanto selecionador, ver os meus atletas a andarem nos lugares da frente numa prova tão importante como a Coupe de l’Avenir do que propriamente o facto de termos conseguido o pódio. Isto para dizer que o pódio foi ‘apenas’ a consequência do bom trabalho que fizeram todo o ano.”

Que balanço fazes da participação na classe 65cc?

“Na classe 65cc, tínhamos quatro pré-selecionados e, para qualquer um deles, seria a primeira vez na Coupe de l’Avenir. O nível dos pilotos desta classe é muito forte porque, sobretudo os países do norte da Europa, estão a apostar nesta classe para preparar o futuro.Desta forma, as expectativas não estavam muito elevadas até porque apenas alguns deles tinham já tido a oportunidade de competir no estrangeiro. Esta experiência acabou por ser muito valiosa porque todos ganharam experiência para o próximo ano. Com isto, delineámos logo como objetivo para o próximo ano lutar pelos lugares cimeiros na classe 65cc.”

Que balanço fazes da participação na classe Open?

“Tínhamos alguma expectativa que o resultado correspondesse ao potencial dos pilotos que levámos mas, infelizmente, isso não aconteceu.O Alexandre Marques cumpriu na íntegra e foi o 3.º classificado entre as motos da classe 125cc. O Renato Silva deu o máximo e, normalmente, andaria no Top 15 mas teve algumas dificuldades. Ao Abel Carreiro foi dada a oportunidade pela primeira vez mas o facto de não ter qualquer experiência internacional levou a que sentisse naturais dificuldades com os regos fundos e com a exigência do circuito. Não posso deixar de referir que o Rúben Ferreira também deu uma grande ajuda e ele seria igualmente uma boa opção para integrar o lote dos selecionados.Por tudo isto, não era fácil melhor resultado que aquele que obtivemos.”

Portugal já participa na Coupe de l’Avenir há quatro anos consecutivos. Em 2020 o projeto é para se manter? Está previsto participarem em mais algum evento?

“Em princípio, a ideia será ir a outro tipo de evento por seleções, por exemplo o Motocross das Nações europeias (EMXoN). Por outro lado, temos de nos manter na Coupe de l’Avenir para dar hipóteses a outros pilotos de terem esta experiência.O que fazem os outros países é que têm uma equipa no EMXoN  e têm uma segunda equipa na Coupe de l’Avenir de maneira a que se continue a trabalhar para o futuro. Se conseguíssemos fazer como fazem esse países, tenho a certeza que nunca em Portugal se trabalharia tão bem a formação dos escalões jovens.Eu diria que o objetivo será em 2020 ou 2021 participar no EMXoN com os nossos melhores jovens pilotos. Quanto aos ‘segundos melhores’, teremos para lhes oferecer o desafio de participar na Coupe de l’Avenir. Este é o plano.”

(Foto: Regis Yves)

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