MXGP, Jeffrey Herlings: “É muito difícil não saber o que vai acontecer”

By on 14 Abril, 2020

Com todas as pistas ainda encerradas devido ao surto de coronavírus, Jeffrey Herlings, tal como todos os outros pilotos, permanece na sua casa, em isolamento social. A situação não está a ser fácil para o piloto, que já não anda na sua moto há mais de um mês.

“É muito aborrecido. Sempre que estás a correr, queres um tempo livre, mas depois tens tanto tempo livre, como agora, que é quase como se tivesse uma lesão. É um momento difícil que estamos a viver neste momento, especialmente por não sabermos o que vai acontecer nos próximos tempos”, disse Herlings.

“Basicamente já não ando de moto há um mês. Todas as pistas estão fechadas. Acho que está tudo fechado em toda a Europa neste momento. Os dias levam muito tempo a passar, as últimas três ou quatro semanas apenas tivemos sol e boas temperaturas, o que torna ainda mais difícil ficar em casa o dia todo”, acrescentou o piloto holandês.

Com tanto tempo passado em casa e sem a possibilidade de andar de moto, Herlings teve de arranjar outras formas de passar o tempo durante esta fase mais complicada.

“Tenho visto muita Netflix. Vi Breaking Bad numa semana visto que passo quase 12 horas por dia em frente à televisão. Também ando de bicicleta umas duas ou três horas, às vezes dentro de casa outras fora, porque ainda o podemos fazer. Aqui está tudo fechado portanto não há muito mais a fazer do que ficar em casa”, contou o piloto entre risos.

A sorte dos pilotos de MXGP, ao contrário de muitos outros, foi terem tido a possibilidade de realizar as duas primeiras rondas do campeonato, ainda de forma tranquila. Jeffrey Herlings não podia ter arrancado a temporada de melhor forma. Depois de duas vitórias consecutivas, em Matterley Basin e Valkenswaard, o holandês é líder do Campeonato do Mundo de Motocross de 2020.

“Apesar das mudanças no horário provocadas pelo mau tempo, conseguimos qualificar-nos bem para a corrida. No domingo as coisas correram bem e isso foi bastante positivo. Terminar a primeira ronda com uma vitória foi muito importante, especialmente depois de todo o azar que tivemos em 2019 ao perdermos quase a temporada completa. Regressar em 2020 e terminar as duas primeiras rondas com a vitória na geral foi uma excelente maneira de começar o ano”, relembrou Herlings.

Como se sabe, o piloto da Red Bull KTM entrou para este ano com uma mentalidade renovada. A sede de vitória parece mais controlada e o objetivo passou a ser terminar todas as rondas do campeonato sem grandes sobressaltos.

“Acho que o facto de ter tido muitas visitas ao hospital ultimamente ajudaram a que mudasse um pouco a minha maneira de pensar. Eu antes já sabia que deveria manter-me calmo e fazer as coisas como deve ser, mas assim que punha o capacete esquecia-me de tudo isso. Só queria vencer as corridas e não pensava tanto no resto porque sabia que era importante somar pontos para conquistar o título. Ainda acredito nisso e tenho a certeza de que se terminar no pódio em todas as corridas, a possibilidade de vencer o campeonato é muito elevada. No entanto, percebi que o objetivo deveria ser terminar sempre entre os três primeiros e não arriscar demasiado para conseguir uma vitória. Foi precisamente isso que fiz quando deixei o Tim Gajser seguir porque sabia que ia conseguir a vitória na geral se terminasse em segundo. O campeonato é composto por 20 rondas e é importante poder terminá-las todas”, explicou o piloto de 25 anos.

“Estamos numa situação muito complicada. Não sabemos quando é que tudo vai começar novamente, como vão funcionar as coisas, quantas rondas vamos ter e isso torna o resultado do campeonato ainda mais imprevisível”, avançou Jeffrey Herlings.

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Foto: KTM images/Haudiquert P.

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